Recebemos a seguinte pergunta:
“Participei de uma conferência em que foi apresentado que cerca de um terço da pública dos Estados Unidos atualmente vence nos próximos anos. Como esse montante pode ser pago?”
Um terço da dívida do Tesouro americano, estimado em aproximadamente US$ 30 trilhões, corresponde a cerca de US$ 10 trilhões em títulos que vencerão já no próximo ano.
Assim, seja sob um percentual ótico — um terço do estoque total — seja pelo valor nominal envolvido, de US$ 10 trilhões, a tarefa de rolagem da dívida pelo Tesouro parece, à primeira vista, bastante desafiadora. Ainda assim, quitar ou refinanciar um terço do empréstimo não representa uma dificuldade tão extrema quanto alguns discursos alarmistas sugerem.
Atualmente, investidores privados e o Federal Reserve detêm praticamente 100% dos US$ 10 trilhões em títulos do Tesouro que vencerão no próximo ano. Entre os principais detentores estão fundos de mercado investidos, investidores de renda fixa, governos estrangeiros, seguradoras, pessoas físicas e empresas. Esses agentes, em geral, são obrigados por regras regulatórias para manter títulos de curto prazo, têm necessidade operacional desses ativos ou simplesmente os precisam como reserva de liquidez.
Dessa forma, quando esses títulos vencerem, a grande maioria dos investidores precisará reinvestir os recursos recebidos. Na prática, o vencimento de cerca de US$ 10 trilhões em Treasuries tende a ser acompanhado pela demanda próxima a esse mesmo valor.
Isso não elimina o problema do crescimento acelerado da dívida do Tesouro, que é real. Para o investidor, porém, o ponto central é avaliar quanto da nova dívida será emitida no próximo ano. Além disso, o endividamento público exerce um multiplicador negativo sobre a economia. Em termos simples, cada dólar adicional de dívida acaba interrompendo a atividade econômica no longo prazo.
Por esse motivo, a rolagem de um terço da dívida existente, ou mesmo a existência de compradores para novos títulos, não é a principal preocupação neste momento. O foco maior recai sobre os efeitos do descontrole fiscal e do aumento contínuo dos gastos públicos sobre o crescimento econômico futuro.
Queda nas novas ofertas de imóveis é a maior em mais de dois anos
Na quinta-feira, a Redfin informou que as novas listas de imóveis residenciais recuaram 1,7% na comparação anual, a maior queda em mais de dois anos. Os vendedores têm adiado a colocação de imóveis no mercado diante da demanda mais fraca, do efeito sazonal e, em muitos casos, por estarem presos a financiamentos contratados a taxas hipotecárias mais baixas.
A Redfin também indicou que as vendas pendentes de imóveis caíram 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e que o tempo médio de venda aumentou para 51 dias. Preços elevados, juros altos, incertezas econômicas e oferta restritas mantendo os compradores cautelosos.
A tabela abaixo, elaborada pela Redfin, traz dados adicionais que reforçam o quadro de estagnação do mercado imobiliário.
Sentimento versus realidade
O gráfico a seguir, divulgado pelo Daily Shot, evidencia um descompasso entre o sentimento econômico e a atividade real. Os chamados dados “duros” refletem indicadores eficazes da economia, como , , e . Já os dados “brandos” exigiam pesquisas de opinião com consumidores e empresas, que capturavam percepções e expectativas sobre a economia.
Desde a introdução das tarifas, o sentimento vem se deteriorando, enquanto a atividade econômica, de forma geral, segue em expansão. Como exemplo, a projeção do Fed de Atlanta para o terceiro trimestre aponta crescimento próximo de 4%. Caso esse número se confirme, será o ritmo mais forte desde 2021. Em contraste, a pesquisa de atingiu o menor nível desde o início da série, em 1960.
Esse tipo de descompasso tende a não se sustentar por muito tempo. Historicamente, quando o sentimento de consumidores ou empresários permanece negativo, há redução de gastos e investimentos, o que acaba prejudicando a atividade econômica. À frente, o ajuste tende a ocorrer por uma das duas vias: ou o sentimento melhorado e converge para a realidade econômica, ou a atividade desacelera até se alinhar às expectativas mais pessimistas.
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