Semana intensa: reunião do Fed, guerra civil no RJ, acordo entre EUA e China


No Brasil, tudo parou depois da incursão das forças de segurança pelo Complexo do Alemão, um aglomerado de favelas, mais de 120 mil pessoas morando nas piores condições. Na verdade, a justiça autorizou esta mega operação, em conjunto com a Polícia Militar e a Civil, mais de 71 mandados de prisão contra o Comando Vermelho (CV).

O objetivo aqui foi impedir a expansão territorial dos marginais, a extorquirem a população da região. Ao fim, foram 121 mortes repercutindo forte na sociedade organizada. Não acho que dê para criticar a operação, já que a CV vinha presente neste complexo explorando as pessoas, cobrando diversas taxas (gás, internet, proteção, aluguéis), aproveitando a ausência de governo nestas regiões.

No fim de semana, um sopro de esperança veio do encontro entre Lula da Silva e Donald Trump, no seu giro pela Ásia. Lula pediu um trégua de 90 dias para as tarifas, que chegam a 50%. Pediu também o fim das avaliações impostas pelos EUA contra autoridades brasileiras, entre elas a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes (STF).

Aguardamos agora os próximos passos nas tratativas comerciais, mas a expectativa é de que as tarifas, elevadas em 50%, comecem a ser renegociadas e reduzidas, incluindo aqui o café e a carne. Na semana que vem, uma comissão de alto nível deverá ir a Washington para negociar com o governo americano.

Foi uma semana também intensa de indicadores.

Pelo consolidado, o Setor público registrou déficit primário de RS 17.452 bilhões em setembro, contra -17,3 bilhões em agosto. A Dívida Líquida do Setor Público registrou 64,8% do PIB em setembro, e a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ficou em 78,1% do PIB em setembro, de 77,5% em agosto. Consideramos que a DBGG, pelo conceito FMI, registrou 90,5% do PIB em setembro, de 91% em agosto.

DECISÃO DO FED

No comunicado da reunião do Fed, depois do corte de 0,25 pp, a 4,00%, Jerome Powell disse que um corte em dezembro estaria longe de ser uma “coisa certa” e que seria preciso acompanhar os dados. Na verdade, ele tentou esfriar as apostas de um corte certo do juro em dezembro, que chegou a ser projetado por mais de 90% antes. Disse que uma decisão sobre dezembro “está longe de ser algo certo”. Powell disse que a queda de 0,50 pp até agora foi decidida porque os riscos do emprego aumentaram, mas que, “agora, temos que avaliar”. No CME Group, as chances de corte em dezembro foram reduzidas para pouco mais de 80%

No comunicado, foi dito que indicadores recentes corroboram esses desenvolvimentos (emprego, preços); que o FOMC está preparado para ajustar a política monetária se emergirem riscos; está fortemente comprometido em retornar à meta de 2% e em apoiar pleno emprego. A votação a favor da política foi de 10 a 2, com o governador do Fed, Miran, preferindo um corte de meio ponto percentual e o presidente do Fed de Kansas City, Schmid, preferindo nenhum corte.

ENCONTRO TRUMP e XI JING PING

Repercutiu, no fim da semana, o encontro de Trump com Xi Jing Ping na Coréia. Pelo que se sabe até o momento, novos encontros estão agendados para 2026 e avanços trazem nos impasses em torno da soja comercializada entre ambos e a exploração de terras raras. Enquanto isso, na Zona do Euro, o BCE manteve o juro em 2%, numa “postura neutra”, mas acreditando em cortes em 2026. Já no Japão, o BoJ manteve o juro em 0,5%, mas sinalizando alta no futuro.

Bom fim de semana a todos!





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