O ranking de medalhas olímpicas é justo?


Com o noticiário feito por notícias olímpicas, ninguém quer saber muito de economia e finanças por enquanto.

|Então o jeito foi pensar na interdisciplinaridade dos temas.

Felizmente, e sem forçar a barra, existe sim um vasto campo de estudos para interesses correlacionados entre esporte e economia – ainda largamente inexplorado.

Só para citar um exemplo: pelas lentes do Design de Mecanismos, podemos entrar em um dos debates históricos mais acalorados dos Jogos Olímpicos.

Qual é a maneira mais “justa” de definir o ranking de medalhas?

Como padrão, a tabela das Olimpíadas é ordenada prioritariamente de acordo com o número de medalhas de ouro, de modo que as premiações de prata e bronze servem a critérios de desempate.

Mas essa regra está longe de ser consensual, sobretudo por violar alguns princípios horizontais sugeridos por Barão de Coubertin na criação dos Jogos modernos.

As posições de Cuba são frequentemente usadas como provocação nesse sentido, já que o país geralmente consegue um grande número de medalhas de ouro sobre seu (relativamente) pequeno total de medalhas.

Em Tóquio, os cubanos conquistaram sete ouros (14ª posição no ranking geral), de um total de “apenas” 15 medalhas. Já os sul-coreanos levaram seis ouros (16ª geral) dentre 20 medalhas.

Outra opção seria simplesmente contabilizar o total de medalhas, sem fazer distinção dentro do pódio.

Os defensores desse método argumentam que ele carrega uma maior visão de potencialidades no esporte, ao dar mais valor para construções probabilísticas do que para o resultado oferecido, muitas vezes definido por caprichos irrisórios ou injustos.

Por outro lado, a contabilidade uniforme pode roubar parte da ambição saudável em se buscar o lugar exclusivo de campeonato entre campeões – um marcador vital da própria essência competitiva do mundo esportivo.

Por fim, teríamos um meio termo entre esses dois extremos, por meio do qual seriam previstas taxas de câmbio entre ouro, prata e bronze, traduzidas finalmente em uma pontuação de pontuação que ditaria o ranking geral.

Daria um pouco mais de trabalho, e suscitaria novas (infinitas) discutiu sobre qual é a taxa de câmbio adequada para cada intermediação entre medalhas, mas poderia funcionar também.

De um jeito ou de outro, passando rápido o olhar por Tóquio, Rio de Janeiro, Londres e Pequim, fiquei com a impressão de que não faria tanta diferença assim.

É claro que ocorrem melhorias ou piores sensibilidades para alguns países específicos, de acordo com o método escolhido, mas a forma consolidada não parece me deixar com o benefício alterado.

Alguém com mais tempo disponível do que eu pode conferir se as regras interferem de maneira significativa na ordenação geral, mas minha impressão é a de que existe um brilho forte entre ouros e total de medalhas.

Agora, outra questão, bem mais interessante, seria: uma mudança na regra de contabilização mudaria também a própria distribuição futura das medalhas? Países bitolados em criar fábricas de ouro tratariam o esporte e seus atletas de forma mais sadia?





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