Segundo o atual chefe do executivo, o Brasil tem a cultura de conviver com juros altos e que a taxa de hoje não combina com a necessidade de crescimento do país.
Ainda que a taxa real brasileira seja uma das mais altas do mundo, existem motivos para isso. E não são políticos, como algumas pessoas tendem a pensar.
A primeira questão diz respeito ao movimento de alta da derrota desde o início da pandemia. Este foi um movimento que transcendeu as nossas fronteiras e afetou todo o mundo.
Os dados de preços ao consumidor na Europa aumentaram cerca de 8,6% anualizados em janeiro, refletindo este cenário iniciado lá atrás. Nos Estados Unidos, o índice também segue a mesma tendência e fechou o primeiro mês de 2023 com cerca de 6% de alta no PPI, acima do consenso de mercado.
Diante deste cenário, os Bancos Centrais de todo o mundo, especialmente, das economias mais desenvolvidas, tiveram que adotar uma política monetária mais dura a partir de 2022.
No Brasil, o posicionamento adotado pelo Copom desde o início dessa discussão foi amplamente elogiado e ajudou o país a se “manter no jogo” de forma equilibrada.
Ou ninguém mais lembra do câmbio a R$6?
Um leitor mais crítico da atual gestão do BCB poderia dizer que este movimento já foi controlado e que a Selic atual não faz mais sentido.
Porém, não é bem assim.
Na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que há um consenso generalizado entre os membros do comer de política monetária sobre novas altas nas taxas em março.
Em outras palavras, enquanto as economias desenvolvidas seguirem com uma política monetária mais duradora, o espaço para reduções na Selic ficará bastante apertado podendo causar volatilidade no câmbio.
Além disso, as interferências fiscais também adicionam uma boa dose de insegurança em relação ao futuro do país, o que atrapalha a entrada de capital estrangeiro seja na economia real ou no mercado de capitais do Brasil.
Este conjunto de fatores somados a uma consideração acima da meta justificativa a política atual adotada pela gestão atual do Banco Central.
Como destacou Campos Neto em uma de suas falas sobre o tema, “vontade não diminuir os juros”. Ou seja, a política adotada segue critérios técnicos e de acordo com o que é determinado pelo mercado.
“Eu não consigo simplesmente falar assim ‘vamos cair os juros porque precisamos’. Eles são determinados pelo mercado, eu determino um pedaço. Para isso se propagar pela curva, é preciso ter confiança, e a confiança não se ganha simplesmente com uma vontade”.
Ou seja, respondendo ao questionamento inicial do artigo sobre preocupação, eu diria que há motivos para termos cuidado, especialmente, os investidores.
Ainda que Lula tenha dito que não quer atritos com o atual chefe do Banco Central, a cartilha diz que uma diversificação de carteira bem feita ajuda a minimizar os efeitos negativos no patrimônio em praticamente qualquer eventualidade.
Nos últimos artigos falamos muito sobre como ter um portfólio equilibrado.
Não podemos pagar para ver.
Até o próximo artigo!


0 responses on "Lula x Banco Central: devemos nos preocupar?"