O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a falar que a desindexação do Orçamento federal seria um passo importante, com choques positivos no contexto do futuro do arcabouço fiscal. Campos Neto citou a discussão ao mencionar que existe um “grande questionamento” do mercado sobre a consistência das novas regras fiscais ao longo do tempo.
“Temos falado bastante, o governo fez esforço enorme com arcabouço, passou várias medidas no Congresso. Existe um questionamento grande sobre a consistência ao longo do tempo do arcabouço criado. Vi recentemente o governo falando em tentativa endereçar essas inconsistências – por exemplo (mudar) a vinculação de saúde e educação, indexação do salário mínimo – com bons olhos, seria um choque positivo importante se pudesse ser feito”, repetiu Campos Neto, que participou nesta sexta-feira de evento da Monte Bravo Corretora, em São Paulo
O banqueiro central também lembrou que os questionários pré-Copom demonstraram uma piora da percepção dos agentes sobre a situação fiscal, embora a piora numérica no Focus tenha sido pequena.
“O que os agentes econômicos fazem é tentar estimar como vai ser essa convergência dessa dívida para frente. Quando se olha os questionários, apesar de não ter visto piora numérica no Focus, teve até uma pequena, 79% dos agentes acham que a situação fiscal piorou. Então imagine que isso pode ter explicado parte desse aumento do prêmio de risco na parte longa”, disse ele.
Campos Neto ainda comentou sobre a taxa de juros reais, que é a especificação por muitos no Brasil como muito alta, mas explicou que o Brasil tem melhorado sua posição na comparação com outros ciclos econômicos, perdendo a posição em relação a outros países.
Ele defendeu também que é importante pensar no esforço financeiro – traduzido pela diferença entre a taxa de juros reais e a taxa de juros reais neutra. “Quando se faz essa comparação, vemos que o Brasil não está na ponta de cima, está mais na ponta de baixo”, disse.


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