A projeção conservadora de inflação para o terceiro trimestre de 2027 – período que o Comitê de Política Monetária (Copom) observa para decidir a – foi considerada otimista pelos economistas após a divulgação do comunicado da decisão que conseguiu a taxa básica de juros de 15% para 14,75% na última quarta-feira (18).
A leitura da, que foi divulgada hoje (24) mais cedo, foi aguardada para saber como o Copom calculou a projeção da estimativa de 3,3% – de 3,2% na reunião anterior – em meio ao risco de pressão inflacionária com a incerteza sobre o preço do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.
A explicação, aparentemente, é de modelagem. Ao observar a curva do petróleo nos contratos futuros além do vencimento corrente de maio, nota-se que o mercado já embute expectativa de queda do barril ao longo do tempo. Daí as projeções comportadas do BC para o horizonte relevante.
“O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente, conforme governança usual”, explica o Copom na ata.
O mecanismo de precificação dos preços futuros do petróleo é o seguinte: a interrupção da oferta provocada pelo conflito pressionou os preços no curto prazo. Nos vencimentos mais longos — contratos menos líquidos —, o mercado precifica uma normalização gradual, seja com a expectativa pelo fim do conflito, seja com a reorganização das cadeias de abastecimento.
Ainda assim, esses preços futuros já estão em patamares superiores aos anteriores à guerra. É um comportamento típico em momentos de choque de oferta: o petróleo de curto prazo supera ou de longo prazo — mas isso não garante que uma trajetória futura se concretize.
O dilema do Copom vai além do conflito
Mesmo sem uma guerra, a autoridade monetária enfrentaria um problema estrutural: a heterogeneidade da moderação econômica entre os setores sensíveis ao crédito e os sensíveis à renda. Nos primeiros, a política monetária surtiu efeito — o crescimento desacelerou conforme o esperado. Nos segundos, o mercado de trabalho aquecido sustentou a demanda e limitou a transmissão da política restritiva.
Somado ao conflito, esse quadro contribuiu para o desancoramento das expectativas de inflação. O Copom sinalizou que manterá uma trajetória de política restritiva por período mais longo do que o necessário para a convergência da inflação para o meta. Na prática, isso se traduz em doses pequenas — cortes de 25 pontos-base —, que preservam o caráter altamente restritivo da política monetária, mas ao mesmo tempo aliviam gradualmente as condições financeiras para os setores dependentes de crédito, ainda que de forma marginal.
BC monitora, mas não se compromete
O BC sinalizou, na ata, que seguirá monitorando os dados de inflação, expectativas, atividade econômica e os impactos do conflito sobre as variáveis macroeconômicas. Esses elementos determinarão o rumo da política monetária no curto prazo — mas sem compromisso com ritmo ou extensão do ciclo. O Copom deixou deliberadamente em aberto tanto a velocidade dos ajustes quanto o patamar terminal da Selic.
Copom: o que vem pela frente
O cenário mais provável contemplará mais um corte de 25 pontos-base em abril e, possivelmente, outro em junho — este último condicionado à evolução do conflito: se houver cessação das hostilidades, sinalização de acordo ou, pelo menos, reorganização da infraestrutura global de energia pelo lado da oferta.


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