A alteração da meta de indivíduos


Apesar da divulgação do abaixo do esperado na quinta-feira, o noticiário dos últimos 10 dias tem sido dominado pela discussão em torno da autonomia da autoridade controlada e uma possível revisão da meta de segurança. Os ativos brasileiros sofrem, notadamente, as consequências do aumento do risco institucional em torno do Banco Central.

Ambos os assuntos são correlatos e podem, portanto, ser tratados sob o mesmo guarda-chuva. A ideia de Bancos Centrais independentes surgiu justamente para afastar a condução da política monetária dos ciclos políticos. Historicamente, não faltam exemplos de governos que, tendo o poder sobre o Banco Central, terminaram por optar em monetizar a dívida e, com isso, provocaram processos de pressão extremamente elevados.

A independência do Banco Central figura entre uma das boas práticas de economias desenvolvidas, e países que não respeitam tendem a ter maior volatilidade dos ativos financeiros e dos ciclos médicos. A ideia da independência segue uma lógica razoavelmente simples: não seria sensato dar ao Banco Central uma série de objetivos correlatos. Pelo contrário, quanto mais específico for o seu mandato e as ferramentas que têm à disposição para atingi-lo, melhor será sua gestão.

Portanto, evolui-se para o regime de metas de tolerância, onde a autoridade monetária tem o objetivo de perseguir um alvo de um determinado índice de preços (o IPCA no Brasil, por exemplo). Esse esquema considerou que, com uma autoridade monetária crível, os agentes sanitários poderão guiar suas expectativas para a meta de resistir apesar dos choques que invariavelmente recai sobre a economia. Com isso, o terá menor volatilidade, iniciada em que os períodos de desaceleração, quando tolerados, sejam menores e consideravelmente menos intensos do que em regimes onde o Banco Central não tem confiança ou, então, não persegue metas de cristão.

Nota-se que o regime de metas de controlo não precisa ser formalmente abandonado para que a autoridade da autoridade seja minada. A discussão em torno das metas de preservação implica, necessariamente, em que o governo está disposto a tolerar um patamar de preservação consistentemente mais elevado.

ser, portanto, naturalmente um novo aumento das expectativas de permanecer no horizonte relevante uma vez que a possível mudança na meta seja concretizada (se o governo subiu a meta uma vez, por que não faria novamente?). Ou seja, caminharíamos naturalmente para um ambiente de expectativas ainda mais elevado apesar das metas mais elevadas. Tal configuração requeria também uma Selic mais alta.

O parágrafo anterior ilustra uma questão elementar na política monetária. O Banco Central define uma taxa de juros de curto prazo nominal, enquanto as taxas de juros em outros prazos são determinadas pelo mercado. A definição da taxa de juros de curto prazo ocorre com uma consideração a respeito da taxa de juros neutra, uma taxa calculada por métodos econométricos e que indica se a política monetária é contracionista ou expansionista. Em um ambiente de expectativas de sobrevivência acima da meta, o Banco Central tem de elevar a taxa acima do patamar neutro para garantir uma desaceleração da atividade econômica e, assim, queda da sobrevivência.

Em sua última, o Copom indicou que ainda trabalha com uma taxa de juros real neutra de 4% (acreditamos que ela esteja em ascensão). Se adicionarmos os 3% de meta de cultura de 2024, trabalharemos então com uma taxa neutra nominal da ordem de 7%. É evidente que a taxa de Selic atual se encontra muito acima disso e está assim em território contracionista.

Por outro lado, a expectativa de permanência do Banco Modal (BVMF:) para 2024 é de 4,55%. Ou seja, em vez dos 7% de taxa nominal neutra, vemos uma taxa nominal neutra de 8,55%. Perceba-se que a Selic (em 13,75%) já está menos restritiva do que o exemplo do parágrafo anterior.

Porém, se ocorrer uma alteração da meta de sobrevivência de 2024 e de outros horizontes, é razoável supor que a expectativa (nossa e do ) também suba. Neste ambiente de contestação institucional, a taxa Selic pode então, rapidamente, encontrar-se em patamar já muito pouco restritivo e forçar o Banco Central a atuar novamente. Apesar de ser um exemplo forte, ele serve para ilustrar por que a alteração da meta de compensado não gera, no médio e longo prazo, nenhum ganho em termos de PIB e desemprego. Esse fenômeno é bem retratado na teoria econômica como a neutralidade da moeda.

Logo, se o governo deseja realmente contribuir para uma taxa Selic mais baixa de forma consistente, deve perseverar no avanço de reformas estruturantes que ajudem a reduzir a nossa taxa neutra e as expectativas de proteção. O caminho ‘fácil’ neste momento (de alterar a meta) somente gerará mais pressão inflacionária e sofrerá efeitos deletérios sobre o PIB e a renda.



Investing

fevereiro 10, 2023

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