Essa altura de acúmulo de erros não-forçados do Governo Lula III, já está claro para (quase) todo o mundo que perdemos o controle das expectativas inflacionárias.
Essa lacuna, por si só, bastaria para complicar bastante as coisas. Mas os problemas de economia nunca aparecem de forma isolada; eles costumam vir acompanhados de outros problemas.
No caso em questão, o descontrole inflacionário se associa – em looping – à perda do referencial de trajetória da , bem como da taxa de câmbio de equilíbrio.
Para entendermos a gravidade dessas incógnitas flutuando no ar, precisamos voltar um pouquinho no tempo, até a última reunião do Copom.
Em 11 de dezembro, o Comitê de Política Monetária elevou a Selic em +1 ponto percentual, para 12,25%.
No entanto, seu ato mais representativo na ocasião foi o de tentar construir uma ponte para a transição de mandato entre Campos Neto e Galípolo, mediante indicação de novos aumentos de +1 ponto percentual nas próximas duas reuniões (semana que vem e março).
“Diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões”, disse o texto divulgado pelo Banco Central.
Em se confirmando o cenário esperado…
À época, parecia que o Copom estava sendo duro ao anunciar esse tipo de orientação futura, mas os 14,25% sinalizados já se encontram agora recebendo benefícios “atrás da curva”.
O último Focus sugere um pico de 15,00%, enquanto a pesquisa macro do Itaú (BVMF:) (apenas para citar uma série de atualização recente) trabalha agora com 15,75% do terminal Selic.
Bem, precisamos considerar que 15,75% é lote de juros – e, como de praxe, vem acompanhado de outros problemas.
Estamos nos aproximando da perigosa zona de dominância fiscal; ninguém sabe exatamente onde fica a fronteira, mas, marchando à frente de olhos vendidos, são crescentes as chances de nos enroscarmos em uma cerca de arame farpado.
Se não vier a dominância, talvez venha simplesmente uma quebradeira de empresas que respiram por aparelhos a 12,25% e deixamão de respirar a 15,75%.
Além disso, será que o Galípolo – como um banqueiro central do PT – vai topar e vai conseguir levar a Selic a 15,75%, caso seja mesmo necessário?
No momento, são muitas incógnitas para poucas equações.
Por definição, temos infinitas soluções possíveis para o Kit Brasil; mas poucas delas pertencem ao subconjunto de soluções desejáveis.


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